
Nesta quinta-feira, mais de duas dezenas de representantes autárquicos vão sair de uma reunião em Lisboa com um “TPC” singular na mala. Nas próximas sete semanas, deverão completar uma lista detalhada, com todos os eventos de alguma forma relacionados com o clima.
– cheias, inundações, ondas de calor, erosão costeira, secas, faltas de água – que enfrentaram pelo menos nos últimos cinco anos. Terão de registar o que aconteceu, quais foram as consequências, que resposta foi dada, quanto dinheiro foi gasto.
É o primeiro passo para a elaboração de estratégias locais de adaptação às alterações climaticas em 26 concelhos do país – objectivo central do projectoClimAdaPT.Local, apresentado esta quinta-feira, que envolve vários parceiros e é financiado com dinheiro sobretudo da Noruega.
Por mais que a humanidade se esforce em reduzir as emissões de gases que estão a aquecer o planeta, preparar-se para a um mundo mais quente é uma necessidade certa. O último relatório do painel científico da ONU para o clima – o IPCC – sugere que, mesmo que a subida do termómetro global até ao final do século fique nos 2o C, haverá alterações significativas na vida do planeta, como a subida do nível do mar, o aumento da frequência de ondas de calor, modificações na produtividade agrícola e o risco de extinção de determinadas espécies.
Mas se já é difícil chegar a acordo sobre decisões no curto prazo, muito mais é pensar no que fazer daqui a décadas. “Portugal está bem atrasado em relação a outros países”, afirma Rita Antunes, da associação ambientalista Quercus, que participa do projecto ClimAdatPT.Local na área da comunicação.
Por cá, apenas Sintra, Cascais e Almada têm estratégias climáticas. As duas primeiras foram elaboradas pela mesma equipa de investigadores do projecto SIAM, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que realizou um trabalho pioneiro sobre os impactos das alterações climáticas em Portugal em 2001 e desde então tem liderado vários projectos na área. Segundo Filipe Duarte Santos, dinamizador do SIAM e coordenador do projecto ClimAdaPT, a estratégia de Sintra não teve seguimento, mas a de Cascais está a ser posta em prática.