Crânio de felino foi descoberto em 2003 numa gruta na Catalunha. Isolamento peninsular e especialização alimentar nos coelhos estão na origem da espécie.
Quando o Centro e o Norte da Europa eram moradas muito mais geladas, durante os períodos glaciares que a Terra começou a ter de há 2,6 milhões de anos para cá, a Península Ibérica tornou-se um dos refúgios do Sul da Europa onde o clima era mais clemente para os animais. O antepassado do lince-ibérico terá sido uma das muitas espécies que acabou por vir parar a este território e, com o tempo, evoluiu para a espécie que hoje conhecemos.
O lince-ibérico é uma versão mais pequena do que o seu antepassado. E tem os dentes pré-molares maiores, o que resulta de uma adaptação à caça ao coelho. “Observando a anatomia craniana, sugerimos que o lince-ibérico desenvolveu uma rápida dependência do coelho-ibérico. Hoje esta dependência é muito alta”, refere Alberto Boscaini.
Esta forte adaptação à caça de coelhos, que definiu esta espécie, é para aquele cientista uma informação importante para a conservação actual do felino: “Para nós, a superespecialização actual do Lynx pardinus numa dieta estrita, baseada nos Lagomorpha [ordem onde se incluem os coelhos e as lebres] e noutras presas pequenas, é semelhante à dieta original. Será difícil que ele altere agora a sua dieta, por isso a abundância dos coelhos é uma exigência necessária para a sua conservação.”
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/o-mais-antigo-fossil-de-linceiberico-tem-16-milhoes-de-anos-1713068


